Novo Endereço do Fórum: http://www.aquariomania.com.br/phpBB3/index.php

http://www.aquariomania.com.br/phpBB3
 
InícioInício  CalendárioCalendário  FAQFAQ  BuscarBuscar  Registrar-seRegistrar-se  MembrosMembros  GruposGrupos  Conectar-seConectar-se  

Compartilhe | 
 

 Inpa descobre diferenças entre duas espécies de Acará-Disco

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo 
AutorMensagem
Augusto Gadelha
Administrador
Administrador
avatar

Mensagens : 187
Data de inscrição : 27/09/2007
Localização : Santos, SP

MensagemAssunto: Inpa descobre diferenças entre duas espécies de Acará-Disco   Sex Set 28, 2007 3:07 pm

Um estudo desenvolvido pelo Laboratório de Citogenética do Inpa mostra que, apesar da semelhança, o meio ambiente abriga não uma, como se pensava, mas duas espécies de acará-disco.

Grace Soares / Ascom Inpa

Para os grandes colecionadores e exportadores de peixes ornamentais que pensavam estar lidando com uma única espécie de acará-disco no ato da compra ou de sua captura no meio ambiente, vai um alerta: vocês podem estar lidando com dois peixes diferentes. Apreciados e conhecidos nacional e internacionalmente, os acarás já estão entre as 15 espécies de peixes mais comercializadas do Brasil. A questão, levantada por Maria Claudia Gross, é decifrar qual espécie está sendo capturada.

Revelar as diferenças entre o Symphysodon aequifasciatus e o Symphysodon discus (ambos conhecidos como acará-disco), sendo os dois peixes tão parecidos, foi o resultado principal apresentado por Gross em sua dissertação de mestrado desenvolvida no início de 2004, pelo Curso de Biologia de Água Doce e Pesca Interior, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Para esse desafio, a pesquisa exigiu um estudo “citogenético”, ou seja, recorrer às células (cito) para analisar a genética e, por conseguinte, os cromossomos (que são longas seqüências de DNA, que contém os genes) nelas presentes. Desse modo, é possível identificar as espécies com perfeita exatidão. “A morfologia dos dois peixes já apontava para a existência de duas espécies, mas era preciso fazer estudos mitóticos (de mitose) e meióticos (de meiose), para comprovarmos”, afirma Gross.

O primeiro passo foi desenvolver duas frentes de pesquisas em torno dos cromossomos dos peixes: uma durante a mitose (processo de divisão celular, do qual originam-se duas células idênticas) e outra durante a meiose (processo de divisão celular através do qual uma célula é capaz de formar quatro células geneticamente diferentes entre si). Foi comparando estes aspectos que as primeiras diferenças começaram a aparecer.

“Observamos, primeiramente, que o S. aequifasciatus possui tanto cromossomos grandes quanto muito pequenos, enquando o S. discus manteve um padrão no tamanho. Mas a diferença mais marcante encontrada entre as duas espécies foi que durante a meiose identificamos a presença inusitada de uma “cadeia” de cromossomos somente em S. aequifasciatus. Essa é uma descoberta inédita em peixes. Até hoje, essa cadeia, basicamente, só foi observada em ornitorrincos, sapos e plantas”, acrescenta a pesquisadora.

Cientificamente, o fato representaria uma diminuição do potencial reprodutivo da espécie S. Aequifasciatus, o que não aconteceu, confirmando o ineditismo da descoberta.

Importância social da pesquisa – De forma prática, o estudo desenvolvido em torno dos dois peixes, de modo a diferenciá-los, vem contribuir para a elaboração de medidas de conservação específicas para ambas as espécies. “Como conseqüência direta, resultados das pesquisas ajudarão a propor maneiras de manejo diferentes para os dois peixes, levando-se em consideração suas peculiaridades, passando a tratá-los, de fato, como espécies singulares”, destaca Gross.

Mas para alcançar essa meta, somente as informações geradas da área da citogenética não seriam suficientes para subsidiar a criação dos planos de manejo adequados. “É necessário um trabalho em conjunto com outras áreas, como a biologia molecular, a ecologia, e muitas outras”, reforça Gross.

Metodologia de trabalho - Foram realizadas análises citogenéticas nas células do rim, que é o tecido com maior divisão celular em peixes (estudos mitóticos) e nas células dos testículos (estudos meióticos). As coletas abrangeram populações de S. aequifasciatus do rio Manacapuru (AM), e de S. discus do rio Negro, mais precisamente em Novo Airão (AM). Comparando a interação dos peixes com os dois ecossistemas distintos é possível relacionar cada cariótipo (é uma espécie de impressão digital de cada espécie) à realidade dos seus ambientes. É um primeiro passo em busca de um entendimento mais global dos hábitos e especificidades das espécies, cujos dados podem ser utilizados na elaboração de planos para conservação dos animais. Informações preciosas para os interessados em criar esses valiosos peixes ornamentais, que movimentam um mercado cada vez mais crescente e concorrido.

De acordo com Gross, o S. Aequifasciatus tem maior distribuição na Amazônia, enquanto o seu semelhante é encontrado somente nos rios Negro e Abacaxis e no baixo rio Trombetas.

Alguns números confirmam a importância de se estudar com maior profundidade a família dos ciclídeos, que compreende todas as espécies de acarás, incluindo o jacundá e o apreciado tucunaré. “Existem aproximadamente 1300 ciclídeos conhecidos em todo o mundo e a grande parte deles encontra-se na Amazônia”, diz Gross. Eles são peixes coloridos, que apresentam vários espinhos em suas nadadeiras. Quando não são vendidos para ornamentação, alguns tornam-se carros-chefes das grandes cooperativas de pesca esportiva do país, como é o caso do tucunaré e do acará-acú, pelos quais turistas e adeptos à essa atividade pagam muito dinheiro para ter a oportunidade de ver e ter um peixe desses “fisgados” em suas linhas.

Estudos na área – Além da pesquisa desenvolvida por Gross, existem outros projetos nessa linha de estudo em andamento no Laboratório de Citogenética do Inpa, sede dos trabalhos. Como a tese de mestrado de Aldaléia Carmo dos Santos, que tem como objetivo estudar 20 espécies de ciclídeos da Amazônia, com o intuito de avaliar os aspectos evolutivos desse grupo de animais.

Com início das atividades em 2000, ao todo, já foram coletados exemplares em municípios como Barcelos, São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel, Manacapuru, Anavilhanas, Jaú, etc. Até o momento, 15 espécies já foram identificadas e “cariotipadas” (analisada sua composição citogenética). Os resultados parciais revelam que estas são consideradas as espécies mais derivadas, ou seja, as mais novas da cadeia evolutiva dos ciclídeos, sendo observado em algumas a ausência completa dos padrões citogenétidos dos seus ancestrais, como é o caso do S. sequifasciatus. “Sabemos que os ciclídeos são originários da África. Quando houve a separação dos continentes, esses peixes acabaram migrando para a América do Sul, conseguindo se adaptar perfeitamente à região amazônica. No entanto, a grande maioria das espécies conserva o legado genético de seus ancestrais, alguns mais, outros menos. O tucunaré é a espécie mais conservada citogeneticamente, pois ainda mantém o padrão cariotípico (a identidade) do africano”, declara Santos.

Parceria com o Ibama – Como a pesquisa exige dos estudantes o deslocamento às áreas de captura dos exemplares das espécies, o Laboratório de Citogenética precisa de uma licença expedida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que muitas vezes acompanha os pesquisadores in loco. “Os resultados obtidos nas pesquisas serão repassados ao Ibama, na forma de um catálogo com dados sobre a biologia dos peixes, fotos, cariótipos, entre outras informações. Assim, os técnicos do órgão poderão articular alternativas de manejo eficientes para essas novas espécies que estão sendo estudadas”, salienta Santos.

Pensando no futuro – Dando prosseguimento à geração de conhecimentos na área, Gross acredita que o próximo desafio é entender a existência da cadeia de cromossomos que se forma durante a meiose das células dos S. Aequifasciatus, o que é inédito para a ciência, tratando-se de peixes. “Precisamos utilizar técnicas mais avançadas para entender a cadeia, e justificar a sua existência”, finaliza. Será uma nova e longa jornada de busca de respostas com previsão para se iniciar agora, como projeto de doutorado. De fato, a sua ambição e a de muitos outros que formam o Laboratório de Citogenética do Inpa, só têm a contribuir para um maior entendimento sobre o universo dos peixes ornamentais, especialmente, os acarás.

Fonte: http://www.inpa.gov.br/
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Rodrigo Paes
Novo Membro
Novo Membro
avatar

Mensagens : 8
Data de inscrição : 28/09/2007
Idade : 37
Localização : Maceió - AL

MensagemAssunto: Re: Inpa descobre diferenças entre duas espécies de Acará-Disco   Sex Set 28, 2007 3:08 pm

Maravilha de informação Augusto!!!!

Finalmente textos cientificos nos foruns de aquarismos!!!

Pesquisas cientificas!!! Acho q é essa a maior carencia nacional nessa área.
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário http://www.biotopobrasil.com.br
Augusto Gadelha
Administrador
Administrador
avatar

Mensagens : 187
Data de inscrição : 27/09/2007
Localização : Santos, SP

MensagemAssunto: Re: Inpa descobre diferenças entre duas espécies de Acará-Disco   Sex Set 28, 2007 3:09 pm

Olá Rodrigo,

Muito interessante a pesquisa do Inpa não é? Tive a honra de participar trocando algumas informações com a Dra. Maria Claudia Gross, excelente trabalho, vamos torcer para que cresça cada vez mais o interesse de órgãos como o Inpa pelas espécies ornamentais.
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Conteúdo patrocinado




MensagemAssunto: Re: Inpa descobre diferenças entre duas espécies de Acará-Disco   

Voltar ao Topo Ir em baixo
 
Inpa descobre diferenças entre duas espécies de Acará-Disco
Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo 
Página 1 de 1
 Tópicos similares
-
» Tem como cruzar espécies diferentes de pássaros exóticos???
» Qual a diferença entre as duas raças???
» Espécies em vias de extinção vão andar nos autocarros de Vila Real
» Espécies Autóctones
» Peixes limpa-fundos - espécies?

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Novo Endereço do Fórum: http://www.aquariomania.com.br/phpBB3/index.php :: Aquarismo Doce :: Ciclídeos Americanos-
Ir para: